Talvez cause uma certa estranheza,
mas em Vila Viçosa, para além das azenhas, dos lagares e lagaretas, das fábricas
de papel e vidro (esta última no Paço Ducal, junto das Cozinhas) e do engenho
de ferro, existia também um moinho de vento.
O moinho do alto de São Bento
terá sido construído por volta de 1750.
No dia 8 de agosto desse ano,
consta da documentação da vereação mandar a Câmara o moleiro não cobrar
dinheiro pelas moendas, mas somente a maquia (16º do alqueire), como os outros
moleiros das azenhas.
Se porém estas moíam e não se
fazia mister a moenda do novo moinho, escusado era a Câmara ocupar-se com tal
proibição, salvo se queria poupar aos seus administradores o desengano de
aprenderem à sua custa que as moagens daquela nova fábrica só eram
aproveitáveis na falta das azenhas. No século XIX o moinho já não entrou em
exercício o dito moinho porque era exótico entre nós e até se desconhecer quem
era o proprietário.
No final desse século,
encontrava-se em avançado estado de ruína.
No entanto, há outras leituras
possíveis.
Neste local, com uma vista
encantadora e estrategicamente muito relevante, foi construído na primeira
metade do século XVI o fortim de São Bento, uma estrutura militar que integrava
a Ermida do mesmo nome e que cruzava fogos com o Castelo Artilheiro. Era um
ponto avançado da Cerca Nova, um recinto fortificado que envolvia Vila Viçosa,
também construído no século XVI.
Esta fortificação foi muito
importante aquando do cerco a Vila Viçosa pelas tropas espanholas do Marquês de
Caracena, em junho de 1665, antes da Batalha de Montes Claros e também durante
as Invasões Francesas.
Por isso, há quem defenda que o
Moinho não é um moinho, mas sim uma atalaia, uma torre de vigilância, um miradouro
militar para controlar os movimentos do lado de São Romão, Terrugem e Vila
Boim.
Terá essa torre servido de base
para a construção posterior do Moinho, séculos depois?!
BIBLIOGRAFIA
ESPANCA, Memórias de Vila Viçosa,
Caderno 11, Câmara Municipal de Vila Viçosa, 1982, p. 59