domingo, 23 de fevereiro de 2025

MOINHO DO ALTO DE SÃO BENTO


Talvez cause uma certa estranheza, mas em Vila Viçosa, para além das azenhas, dos lagares e lagaretas, das fábricas de papel e vidro (esta última no Paço Ducal, junto das Cozinhas) e do engenho de ferro, existia também um moinho de vento.

O moinho do alto de São Bento terá sido construído por volta de 1750.

 

No dia 8 de agosto desse ano, consta da documentação da vereação mandar a Câmara o moleiro não cobrar dinheiro pelas moendas, mas somente a maquia (16º do alqueire), como os outros moleiros das azenhas.

Se porém estas moíam e não se fazia mister a moenda do novo moinho, escusado era a Câmara ocupar-se com tal proibição, salvo se queria poupar aos seus administradores o desengano de aprenderem à sua custa que as moagens daquela nova fábrica só eram aproveitáveis na falta das azenhas. No século XIX o moinho já não entrou em exercício o dito moinho porque era exótico entre nós e até se desconhecer quem era o proprietário.

No final desse século, encontrava-se em avançado estado de ruína.

No entanto, há outras leituras possíveis.

Neste local, com uma vista encantadora e estrategicamente muito relevante, foi construído na primeira metade do século XVI o fortim de São Bento, uma estrutura militar que integrava a Ermida do mesmo nome e que cruzava fogos com o Castelo Artilheiro. Era um ponto avançado da Cerca Nova, um recinto fortificado que envolvia Vila Viçosa, também construído no século XVI.

Esta fortificação foi muito importante aquando do cerco a Vila Viçosa pelas tropas espanholas do Marquês de Caracena, em junho de 1665, antes da Batalha de Montes Claros e também durante as Invasões Francesas.

Por isso, há quem defenda que o Moinho não é um moinho, mas sim uma atalaia, uma torre de vigilância, um miradouro militar para controlar os movimentos do lado de São Romão, Terrugem e Vila Boim.

Terá essa torre servido de base para a construção posterior do Moinho, séculos depois?!

 

BIBLIOGRAFIA

ESPANCA, Memórias de Vila Viçosa, Caderno 11, Câmara Municipal de Vila Viçosa, 1982, p. 59