Programa "Nada Será como Dante" dedicado à literatura portuguesa, com grande destaque para Florbela Espanca, exibido no dia 21 de Janeiro de 2020
https://www.rtp.pt/play/p6188/e451355/nada-sera-como-dante?fbclid=IwAR09IswD2bmgjp7I5etjgerQgJDUeD_YK3w8g0u-VkB2RxwrygSb0XjEaHY
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
sexta-feira, 17 de janeiro de 2020
terça-feira, 12 de novembro de 2019
CALLIPOLE SUBTERRÂNEA
O QUE SE ESCONDE, POR DEBAIXO DE VILA VIÇOSA?!
Sistemas antigos de condução de águas ou passagens secretas, que
alimentam o nosso imaginário?
Diz a tradição popular
que os Conventos de Vila Viçosa estão ligados entre si por passagens
subterrâneas. Diz mesmo a lenda que entre o Convento dos Capuchos e a Ermida de
Santo Eustáquio, na Tapada Real, há uma passagem secreta, usada pelos fradinhos
para escaparem a qualquer eventualidade.
Os túneis existem, de facto. Mas na minha opinião, fazem parte de um complexo sistema de captação e condução de águas, essencial para as atividades monásticas. Neste caso concreto, existem várias entradas e diversas condutas perpendiculares, provavelmente usadas para levar a água a distintos locais.
Podemos falar numa rede, talvez com origem no século XVI ou XVII? É o que estou a tentar descobrir.
Os túneis existem, de facto. Mas na minha opinião, fazem parte de um complexo sistema de captação e condução de águas, essencial para as atividades monásticas. Neste caso concreto, existem várias entradas e diversas condutas perpendiculares, provavelmente usadas para levar a água a distintos locais.
Podemos falar numa rede, talvez com origem no século XVI ou XVII? É o que estou a tentar descobrir.
Decorrem as investigações, numa fase de identificação e levantamento de estruturas.
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
ESTÁTUA DE D. ÁLVARO ABRANCHES DA CÂMARA
Escultura de José Pereira Lima dos
Santos (final do século XIX), representando D. Álvaro, com a bandeira real
portuguesa, hasteada no Castelo de São Jorge no dia 1 de Dezembro de 1640.
D. Álvaro Abranches da Câmara foi um dos
Quarenta Conjurados, que muito contribuiu para a aclamação do oitavo Duque de
Bragança como Rei de Portugal. Servindo D. João IV, participou na Guerra da
Restauração, praticando várias ações militares na Beira.
Antes disso, tinha lutado brilhantemente
para o Reino de
Portugal quando,
em 1625, foi
tomada a Bahia,
no Brasil,
aos holandeses.
Faleceu em 1660.
Simbolicamente, a sua estátua foi colocada
neste local a norte do Castelo de Vila Viçosa, pela Fundação da Casa de
Bragança, no ano 2000, por ter sido aqui que o exército espanhol do Marquês de
Caracena tentou invadir este espaço, no dia 9 de Junho de 1665, dias antes da
Batalha de Montes Claros.
D. Álvaro de Abranches da Câmara ou Álvaro Coutinho da Câmara
(?
-1660)
Senhor do morgado de Abranches, em Almada, foi um nobre,
militar e político português; comendador de São João da Castanheira na Ordem de Cristo; governador de Abrantes,
membro da Junta dos Três Estados,, mestre de campo general na Estremadura, e conselheiro de estado e do Conselho
de Guerra, governador das armas da Província da Beira e da Província de Entre-Douro-e-Minho, incluindo a
cidade do Porto. Ainda novo lutou brilhantemente para o Reino de
Portugal quando,
em 1625, foi
tomada a Bahia,
no Brasil,
aos holandeses.
Contribuiu muito
igualmente para a proclamação de D. João IV, como rei de Portugal,
logo no inicio como um dos Quarenta Conjurados, sendo o
primeiro que fez subir a bandeira nacional portuguesa,
de novo, em Lisboa, e, assenhoreando-se do castelo de S. Jorge, soltando Matias de Albuquerque e Rodrigo Botelho, conselheiros de fazenda,
que estavam ali presos pelos castelhanos. Depois na Restauração da Independência e durante a Guerra da Restauração, que
se lhe seguiu, praticou várias acções de valor na província da Beira, nomeadamente,
entrando em Espanha, onde saqueou e incendiou algumas vilas espanholas.
Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada.
Falecido em
1660, está sepultado na Igreja de São
Paulo de Almada.
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
CALLIPOLE SUBTERRÂNEA – QUINTA DO MARTINHO
No âmbito
do projeto CALLIPOLE SUBTERRÂNEA, identificámos hoje outra nora com uma
cisterna associada, nas proximidades de Vila Viçosa (1,5 km). Trata-se de uma
estrutura hidráulica com nascente de água associada. Apesar do período de seca
severa que vivemos, apresenta um nível de água muito significativo, outrora
utilizado para as atividades agrícolas, nomeadamente a rega da horta.
Num
período em que se fala cada vez mais sobre a escassez de água, é importante
salientar que no âmbito do nosso levantamento, o líquido é encontrado em
abundância em muitos destes reservatórios, distribuídos pelo centro histórico e
na envolvente.
Estas
estruturas funcionavam num passado não muito distante como elementos
fundamentais na gestão e poupança de água. Temos identificadas cerca de 20
estruturas hidráulicas (entre cisternas, noras, minas e aquedutos
subterrâneos), fundamentais para a distribuição de água.
LOCALIZAÇÃO
QUINTA DO
MARTINHO
Está
situada nas proximidades da Quinta da Fonte Santa, ao oriente do outeiro de São
Domingos.
Em 1882
moravam aqui quatro pessoas, segundo o levantamento efetuado pelo Padre Joaquim
Espanca. Neste tempo, era conhecida pela existência de um pomar de laranjeiras
de boa qualidade.
A Quinta
do Martinho pertenceu ao Capitão Martinho José Leal, que tomou posse e
juramento no dia 8 de Outubro de 1757. Em Julho desse mesmo ano, fora eleito
Capitão da Companhia de São Romão, lugar vago pelo falecimento de Francisco
Lopes de Torres.
Martinho
José Leal foi Escrivão da Câmara, Vereador e Sargento-Mor da Ordenança,
morrendo já no século XIX.
Esta
área, desde a Fonte Santa, era bastante conhecida pela abundância, qualidades e
virtudes das suas águas. Neste espaço, foi possível identificar uma nora com
uma cisterna associada, com grande quantidade de água no seu interior, apesar
do período de seca. A estrutura tem uma rampa de acesso para o animal de tração
poder mover a nora e permitir a retirada de água para irrigação da horta. É
semelhante a muitas outras já identificadas no centro histórico de Vila Viçosa.
BIBLIOGRAFIA
CONSULTADA
ESPANCA, Padre Joaquim José da
Rocha, Memórias de Vila Viçosa, 36 cads., Câmara Municipal de Vila
Viçosa, Vila Viçosa, 1983 – 1992.
LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO
domingo, 13 de outubro de 2019
Castelo de Vila Viçosa
Nos anos de 1939, 1940 e 1941, o Castelo de Vila Viçosa é alvo de um conjunto de intervenções promovidas pela Direção Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais. Esta estratégia de valorização ideológica inseriu-se na ação política do Estado Novo e da exaltação dos valores ligados à Restauração da Independência, que tinha tido em Vila Viçosa, em 1640, um dos seus principais lugares.
A planificação é pensada pelo Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco, que tinha também uma forte ligação afetiva a Vila Viçosa.
Foi então definido um plano que viria a alterar profundamente o contexto urbanístico de Vila Viçosa, inserido no estilo designado "Português Suave", que procurava implementar uma arquitetura genuinamente portuguesa.
Nestes três anos, são efetuadas as primeiras e mais significativas ações, levadas a cabo pelo empreiteiro António Domingues Esteves, consistindo na demolição de paredes de alvenaria, consolidação e regularização da muralha, construção e assentamento de degraus e de ameias, segundo as existentes; construção e assentamento de cantaria aparelhada em cunhais, portas e degraus; construção de paredes de alvenaria em muralhas; demolição da Capela de Nossa Senhora dos Remédios; reconstrução da torre cilíndrica ao lado da Porta de Évora; entaipamento da porta de Elvas e do cubelo quadrangular na sua proximidade, que descaíra, aproveitando-se os seus materiais; demolição da ponte de alvenaria de acesso à porta principal da fortaleza artilheira; demolição das duas tenalhas e da cortina, que se adossava à torre albarrã; reparação geral da armação dos telhados, com substituição de madeiras, e da cobertura na fortaleza artilheira; arranjo dos acessos ao castelo e apeamento e transferência do pelourinho, para a localização actual e da Porta do Nós (na Cerca Nova) para junto da cerca do Mosteiro dos Agostinhos.
As grandes obras vão prolongar-se até meados dos anos 50 do século XX e abrangeram a cerca medieval, a fortaleza-artilheira e as fortificações seiscentistas.
As intervenções efetuadas geram hoje alguma controvérsia nos especialistas sobre esta matéria, porque correspondem a um plano com uma forte carga ideológica e que sacrificou alguns dos elementos originais da Cerca Velha.
Também a Capela de Nossa Senhora dos Remédios, situada junto da torre albarrã e provavelmente do século XVI, foi completamente demolida. Uma decisão polémica, tendo em conta o valor do revestimento azulejar do seu interior e a perda parcial do retábulo de talha dourada do início do século XVIII, felizmente recuperados por ação da Fundação da Casa de Bragança.
Na imagem, temos a construção (ou reconstrução ?) da Porta de Évora, uma das mais importantes referências do Castelo nos nossos dias.
Fonte consultada:
www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/sipa.aspx?id=3927
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
DOÇARIA CALIPOLENSE COM HISTÓRIA : O BOLO DUQUE
Vila
Viçosa tem vindo a assumir um papel de cada vez maior destaque mediático. Somam-se
as reportagens e as notícias sobre nossa realidade. Paulatinamente, os
holofotes de diferentes meios de comunicação tem vindo a incidir sobre a
história e o património da Vila Ducal, o que se tem refletido no aumento do
número de visitantes, de modo exponencial.
Penso que
é fácil comprovar que o mês de Agosto de 2019 registou um substancial
crescimento em relação aos mesmos meses em anos anteriores. Conforme tenho
defendido, esse aumento beneficia todos: museus, hotelaria, restauração e
comércio.
Dá
vitalidade à terra.
A
experiência que tenho nesta área diz-me a demanda turística dos nossos dias
procura uma oferta cada vez mais qualificada e vocacionada para aspetos
diferenciadores: os recursos endógenos e as questões identitárias são os
requisitos que muitas vezes estão na base das escolhas.
Procura-se
algo diferente e pretende-se um serviço de qualidade.
E, nesse
contexto, Vila Viçosa tem tudo: um património excecional e cada vez mais
valorizado, uma história repleta de acontecimentos relevantes para Portugal e
uma gastronomia muito rica e diversificada.
Sabemos
que este triângulo de opções motiva em muitos casos a planificação das visitas.
No caso
da doçaria calipolense, temos tido em grande destaque o sericá, vindo das
bandas do Oriente, excelente iguaria com uma forte carga histórica e as
tradicionais tibornas. Mas existe uma outra iguaria com génese em Vila Viçosa que
ainda não está devidamente divulgada e que poderia constituir mais um atrativo
a ter em conta nos menus e nos produtos a disponibilizar aos turistas.
Falo do BOLO DUQUE, uma receita que terá tido,
segundo as crónicas, origem em Vila Viçosa, numa homenagem do chefe doceiro do
Paço Ducal ao Duque de Bragança, D. Teodósio II por ocasião do seu aniversário
ou do casamento com D. Ana de Velasco y Girón, em 1603.
A
promoção de mais este doce, em associação com todos os outros já referenciados,
podia assumir-se como uma marca específica de Vila Viçosa e tornar-se num outro
factor de atratividade.
Nada
melhor do que monumentos conjugados com doces e iguarias para motivar uma
visita a um determinado local. Fica o desafio para os empreendedores,
juntamente com a receita:
BOLO DUQUE
TEMPO DE
PREPARAÇÃO : 35 minutos
TEMPO DE
COZEDURA : 1 hora
Ingredientes
(4 a 6 pessoas)
500
gramas de açúcar
10 gemas
+ 3 claras
250
gramas de batata
100
gramas de manteiga
250
gramas de miolo de amêndoa
Manteiga
q.b.
Coza e
rale as batatas. Pise a amêndoa e bata as claras em castelo. Bata conjuntamente
todos os ingredientes e leve ao forno em forma untada com manteiga.
FONTE:
Tesouros
da Cozinha Tradicional Portuguesa, Seleções do Reader’s Digest, 1984
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