terça-feira, 8 de setembro de 2026

GRUPO DE FORCADOS AMADORES DE VILA VIÇOSA

 

GRUPO DE FORCADOS AMADORES DE VILA VIÇOSA

Vila Viçosa é uma localidade com fortes tradições taurinas. Para além do Rei D. Carlos, ganadeiro, que tinha parte do efetivo na Tapada e de José Trincheiras, matador de toiros, conhecido como o “Leão do Alentejo”, outros nomes marcaram e marcam as vivências taurinas do concelho.

 Poucos se recordarão, mas em 1955 foi formado o Grupo de Forcados Amadores de Vila Viçosa, formado por rapaziada da terra, de Bencatel e de Évora, todos muito jovens, na casa dos 15 anos. Entre eles estavam, entre outros o Solas (o segundo a contar da esquerda), Quim Correia, Francisco Capelas e Miguel Mestre (os dois últimos do lado direito da fotografia).

“Muitas vezes éramos assobiados, mas também recebíamos muitos aplausos”, nas palavras de um dos elementos, que gentilmente nos cedeu a fotografia, Miguel Mestre.

Atuavam sempre nas Festas dos Capuchos e pegavam os toiros “duros” de Cláudio Moura, cuja ganadaria pastava nos campos da Tapada Real de Vila Viçosa. O padrinho do Grupo era o cabo dos Forcados Amadores de Lisboa, Nuno Salvação Barreto, que queria levar alguns elementos para a capital.

DA ESQUERDA PARA A DIREITA:
Manuel Jaleco, Francisco Solas, Fradinho de Bencatel, Saraiva (Redondo), Quim Correia, José Batanete, Francisco Capela e Miguel Mestre.





 

 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Terreiro de D. João

 Foto de 1940, com o rasgar da Avenida Duques de Bragança, idealizada pelo Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco. Vista das muralhas do Castelo de D. Dinis.




PRAÇA RAINHA D. AMÉLIA

 Actual Praça da República, antes designada Praça Nova de São Bartolomeu. No topo da foto, a Igreja de São João Evangelista, vulgarmente conhecida como Igreja de São Bartolomeu. os pináculos nunca foram colocados. Trata-se de uma "invenção" da IA. Na praça, vemos o quiosque e a Fonte das Bicas, que tinha vindo do Campo do Carrascal em meados do século XIX. A foto data dos inícios do século XX.




domingo, 4 de janeiro de 2026

D. FRADIQUE DE PORTUGAL, VILA VIÇOSA, EM TODAS AS PARTES DO MUNDO!

 

D. FRADIQUE DE PORTUGAL, VILA VIÇOSA, EM TODAS AS PARTES DO MUNDO!

Ao visitar a imponente Catedral de Segóvia, deparei-me com uma informação, desconhecida para mim, sobre um ilustre Calipolense, que foi figura influente em Castela.

Na Sala das Tapeçarias, encontrei os paramentos religiosos (capas de asperges, dalmáticas e casulas, ricamente bordados a ouro), com as armas brigantinas, que revelam a ligação de um nobre eclesiástico à Casa de Bragança.

D. Fradique (Frederico ou Fadrique) nasceu em Vila Viçosa em 1465, provavelmente na antiga alcáçova medieval, situada onde se encontra atualmente a Fortaleza Artilheira do século XVI. Era neto de D. Fernando I, 2º Duque de Bragança e descendente do Rei D. João I e do Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Foi uma figura muito influente em Espanha, tendo sido Bispo de Segóvia e de Siguença (com quem Vila Viçosa tem uma geminação) e Arcebispo de Zaragoza.  Graduou-se em Direito, foi também Vice-Rei da Catalunha, conselheiro político dos Reis Católicos e membro do Conselho de Estado de Carlos I. Ou seja, a Casa de Bragança exercia a sua influência política internacional de diversas formas, colocando nos centros de decisão membros da sua linhagem, de modo a que estes estivessem sempre informados sobre os desenvolvimentos políticos em diferentes contextos geográficos.

D. Fradique, apesar da influência em Espanha, nunca esqueceu as suas origens portuguesas, bem destacadas nas vestes religiosas e isso não o impediu de exercer altos cargos na hierarquia política e religiosa do país vizinho.

Morreu em Barcelona em 1539 e está sepultado na Catedral de Siguença.

Talvez seja conveniente olhar para o passado e para história de alguns homens e constatar que a diplomacia é a melhor forma para estabelecer pontes e semear convergências entre os estados, respeitando as diferenças e cumprindo as leis que vão regulando as relações humanas.

NOTA:

As tapeçarias de Bruxelas que se encontram na sala onde estão os paramentos são semelhantes às que estão na Sala dos Duques do Paço Ducal de Vila Viçosa.

Nesta caminhada para a UNESCO, é com orgulho que constato que há sinais ou referências a Vila Viçosa um pouco por toda a parte, neste caso numa das mais importantes catedrais espanholas!










quinta-feira, 23 de outubro de 2025

TERRAS DO ENGENHO DE FERRO

 

A história de Vila Viçosa é feita dos grandes e sumptuosos monumentos, mas também dos edifícios que tinham funções utilitárias para sustentar o poder da Casa de Bragança. Para além da fábrica de vidro, no Paço Ducal e do Moinho de Papel, destaca-se também o Engenho de Ferro, para além das azenhas, lagares e lagaretas, distribuídas ao longo da Ribeira do Paraíso e dos fornos de telha e de tijolo.

Como o nome indica, o Engenho de Ferro era uma “fábrica” para a produção de metais, com recurso a energia hídrica, através da Ribeira do Paraíso. Apontam-se a data de fundação provavelmente para o século XVI, mas sem certezas absolutas.

Restam as ruínas do antigo edifício, verdadeira relíquia da arqueologia industrial, envolta pela densa vegetação do montado alentejano.

No século XIX, terá também funcionado como lagar, ou utilizada para moagem de cereais.

No âmbito do rastreio e cadastro dos bens culturais, no âmbito do processo de Candidatura a Património Mundial da UNESCO, fizemos hoje uma visita exploratória ao local, no sentido de fotografar e avaliar as condições arquitetónicas do edifício, na companhia da CCDR Cultura.






quarta-feira, 24 de setembro de 2025

ERMIDAS DESAPARECIDAS DE VILA VIÇOSA - A ERMIDA DE SANTO ANDRÉ

 

Ermidas desaparecidas de Vila Viçosa – A Ermida de Santo André

 

A Ermida de Santo André foi fundada em tempos imemoriais, na vertente da Serra das Barradas, a cerca de três quilómetros de Vila Viçosa, na banda direita do caminho para o Convento de Montes Claros, relativamente perto da quinta do mesmo nome, propriedade do Conde de Redondo nos anos 70 do século XX.

No ano de 1763 ainda nela se enterravam habitantes do sítio, na época cultivado somente por vinhedo e mais tarde olival. Teve eremitério e poço comunitário chamados comumente, nos princípios no século XIX, por casarões de Santo André.

 Perderam-se quase todos esses vestígios antigos.

A imagem titular da ermida guardou-se, durante muitos anos, no altar do Apóstolo São Pedro, na Matriz, ao cuidado da respetiva irmandade dos clérigos da vila.

Nas proximidades do local da antiga ermida já desaparecida, fica o Poço de Santo André, que foi nesta semana limpo pelos serviços da Junta de Freguesia de Conceição/São Bartolomeu.

Mostramos as imagens do antes e do depois.

Importante salientar que continuamos, juntos, a identificar, sinalizar e proteger o património calipolense, através de um trabalho de equipa que tem dado frutos!

 

BIBLIOGRAFIA

ESPANCA, TúlioInventário Artístico de Portugal – Distrito de Évora, Zona Sul, vol. I, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1978, página 609




 


 

segunda-feira, 14 de julho de 2025

A CERCA NOVA DE VILA VIÇOSA

 A CERCA NOVA DE VILA VIÇOSA


No século XVI, os Duques de Bragança D. Jaime e D. Teodosio construíram um recinto fortificado em redor da expansão urbanística da vila durante esse período. A cerca passava pelo Alto de São Bento, o Paço Ducal e envolvia os principais mosteiros. Ao longo do tempo, esta muralha foi desaparecendo e só restou um troço, junto ao Convento da Esperança. Trata-se de um muro de alvenaria, com cerca de 5 metros, neste caso construída sobre um jazigo rochoso.
No âmbito da candidatura a Património Mundial, continuamos a fazer o levantamento e identificação do património calipolense, para conhecer a dar a conhecer melhor a história de Vila Viçosa. Na imagem, temos a muralha que resistiu ao tempo, nas traseiras do Convento da Esperança e que fazia a ligação ao Castelo que hoje conhecemos