sexta-feira, 6 de março de 2020

Vila Viçosa, a Gripe Espanhola e o heroísmo do Dr. Couto Jardim


Numa altura em que o COVID 19 (Coronavírus) se propaga de forma incontrolável, adiando projetos e iniciativas na vida de cada um de nós, causando um enorme impacto social, com consequências económicas graves, partilho algumas informações sobre a popularmente designada “Gripe Espanhola” e a sua chegada a Vila Viçosa em 1918, onde foi registado o primeiro caso em Portugal.

Esta pandemia teve diversas designações: influenza, senhora espanhola, gripe espanhola ou pneumónica e espalhou-se por quase todo o globo, a uma velocidade vertiginosa.



Os dados que aqui apresento constam nos relatórios da Subdelegação de Saúde de Vila Viçosa, produzidos pelo Dr. Couto Jardim, que teve um papel decisivo no apoio aos doentes. Estes documentos constituem uma base de investigação muito interessante para futuras pesquisas e encontram-se no Arquivo Histórico Municipal de Vila Viçosa.



A influenza de 1918 marcou data memoranda nos anais epidemiológicos do país e de todo o mundo, coroando com a mais alta mortandade a série de pandemias gripais observadas no século XIX e nesse decurso, sobrepujou entre nós em mortandade os flagelos pestilenciais da peste, cólera, peste e febre-amarela.

A crónica portuguesa deste formidável andaço, que teve um impacto brutal no mundo urbano e rural, dizimou dezenas de vidas e lançou o pânico e o terror na população.

E o que aconteceu?

A vida em Vila Viçosa seguia a sua rotina normal, subitamente alterada com a chegada da Gripe Espanhola, que entre 1918 e 1919, ceifou a vida de centenas de calipolenses.



Surgida no decurso da I Guerra Mundial, a pandemia chegou mais depressa a Vila Viçosa do que os filhos da terra que tinham sido destacados para o conflito.

As difíceis condições de vida da maioria da população fomentaram a propagação da doença. Com sucessivos anos de más colheitas agrícolas e a entrada de Portugal na guerra em 1916, os preços dos bens alimentares essenciais, como o pão, o azeite, as hortaliças e o arroz, sofreram uma inflação acentuada, transformando a fome num fenómeno endémico e afundando o país numa profunda crise. Não era somente a guerra que matava…

A pneumónica chegou sem aviso e apanhou um país desprevenido. Em Maio de 1918, o primeiro caso surge precisamente em Vila Viçosa e foi-se deslocando de sul para norte. A entrada da pneumónica em Portugal deu-se através dos trabalhadores sazonais portugueses que iam diariamente de Vila Viçosa para os campos agrícolas de Badajoz e Olivença, de modo a ganharem o pão, trazendo consigo a doença para a localidade alentejana.

A “influenza magna” foi devastadora e sacudiu Vila Viçosa em duas ocasiões: Uma invasão epidémica primitiva, espanhola, em Maio e Junho e outra secundária, pneumónica, que lavrou de Agosto a Dezembro.

As autoridades sanitárias foram apanhadas de surpresa e não souberam lidar com a situação grave que surgia. A estirpe do vírus matava com uma rapidez nunca antes vista.

Há hoje várias teorias sobre o local onde começou a doença: na base militar de Etables, na costa norte de França; trazida por soldados indochineses (Vietname, Laos e Camboja) que lutaram em França entre 1916 e 1918; ou num acampamento militar no Kansas (Estados Unidos da América) entre militares que depois viajaram para a Europa.

Mas as dúvidas são demasiadas e nunca se chegou a uma conclusão.

Relativamente a Portugal, os dados consultados confirmam que a chegada da “Senhora Espanhola” a Vila Viçosa foi dramática…

A população calipolense foi muito atingida, não chegando a haver caixões suficientes para os óbitos que iam ocorrendo. A morte chegava em poucas horas, depois de detetados os primeiros sintomas.

As maçãs do rosto dos pacientes ficavam com manchas vermelhas ou acastanhadas e com o avançar das horas, a pele começava a ficar azulada ou negra, não sendo muitas vezes possível identificar a cor original do doente. A maioria morria sufocada, caindo como tordos, afogados nos seus próprios fluídos. Não bastava o drama de muitos dos filhos da terra terem partido para combater nas terras de França. Somava-se agora este terrível flagelo da pneumónica.

Naquele tempo, os parcos hábitos de higiene e a circulação das pessoas por todo o território ajudaram à disseminação da pandemia, que foi alastrando a uma velocidade vertiginosa. Portugal era país maioritariamente rural, com sucessivas epidemias e as consequentes crises sanitárias, a viver uma crise política e com a Primeira Guerra Mundial como pano de fundo. Houve aldeias que literalmente desapareceram, assim como famílias que se extinguiram. Felizmente esse não foi o caso de Vila Viçosa…


O Presidente Sidónio Pais, que tinha alcançado o poder graças a um golpe militar, bem se esforçou para acudir a população, mas os efeitos da doença foram nefastos, ao ceifarem milhares de vidas de jovens. Os cerca de seis milhões de portugueses, vivendo num país marcadamente rural, sofreram bastante com a pandemia. 


O próprio contexto da Guerra Mundial era outro dos fatores que contribuía para a disseminação do vírus . Havia tropas que se movimentavam, que estavam juntas em aquartelamentos militares, havia uma superlotação dos hospitais de campanha e de retaguarda, baixas da própria guerra, com a guerra química, população malnutrida e o próprio regresso a casa trazia consigo o mal.

A situação foi-se tornando dramática ao longo de meses…


O concelho de Vila Viçosa não foi exceção. Até porque foi o primeiro em solo nacional a ser atingido.

Surgiram grandes despesas do Hospital da Vila (Hospital do Espírito Santo ou da Misericórdia) no tratamento dos doentes, sobretudo provenientes das classes proletárias, onde as condições de higiene eram insuficientes e nada beneficiadas pelas casas insalubres e pouco arejadas, que albergavam grande parte da população calipolense. Com a doença, as pessoas eram aconselhadas a lavar as vias respiratórias com água salgada, a ventilar as habitações e a não descurar os hábitos de higiene, o que nem sempre era respeitado.

Por esse motivo, a epidemia gripal grassava com toda a intensidade, devastando lares inteiros. Num determinado momento, a situação foi incontrolável, devido à falta de médicos e de remédios eficazes.

 Uma figura destacou-se no auxílio aos enfermos, designados como “epidemiados” num tempo “horroroso” da morte que pairava de modo sinistro sobre vilas e aldeias do país.

  O seu nome era João Augusto do Couto Jardim. Notável e benemérito calipolense, foi um homem de invulgar sensibilidade e altruísmo.

Nascido em Vila Viçosa no dia 16 de Agosto de 1879, numa casa da Rua de Santo António, era filho do médico João Gomes Jardim e de Maria Olímpia do Couto Jardim. A família era proveniente da ilha da Madeira. Passou toda a infância e adolescência em Vila Viçosa. Em 1903, concluiu o curso de Medicina na Universidade de Coimbra e de imediato regressou à sua terra natal para exercer a profissão de médico.

Durante a febre pneumónica, graças ao seu espírito altruísta, sempre se preocupou com as enfermidades dos seus pacientes, fazendo visitas ao domicílio, sem nada cobrar por isso. Era clínico delicado e bondoso, que tinha como primeiro dever seu animar os doentes e dar-lhes, antes de qualquer remédio, o conforto moral de uma palavra amiga. Na sua incansável ação clínica nestes tempos difíceis, recomendava também aos doentes o banho frequente, para uma melhor higiene e controlo da febre. A fumigação de eucalipto da Serra d’Ossa era outra das receitas para a desinfeção de casas e quartos.

As situações de miséria com que, por vezes, deparava, provocavam nele um sentimento de piedosa caridade, fazendo com que, para além de dar o seu melhor a título gratuito, partia depois de deixar todo o dinheiro que levava consigo…

A extrema e estrutural pobreza da população fazia com que a maioria tivesse uma alimentação má e escassa desde o seu nascimento. Não havia carne, peixe, manteiga, açúcar ou arroz. As hortaliças escasseavam e a falta de alimentos só contribuía para o rápido alastrar da doença.

E a gripe espanhola ia avançando, de forma quase explosiva, ceifando as vidas de muitos calipolenses, sem dó nem piedade. E o médico assumiu-se, no meio do caos, como um grande estudioso desta nova doença, compilando dados e observando a evolução do estado de saúde dos epidemiados,

Segundo as investigações e os registos do Dr. Couto Jardim, o mal da pneumónica conservou-se em casos esporádicos, de modo que se pode estabelecer a continuidade da primeira com a segunda onda, sendo por isso possível que se tratasse de uma reincidência local aumentada com alguns casos que vieram de outros contextos, trazida pelos soldados de cavalaria que se encontravam na Escola Prática de Cavalaria, instalada no Mosteiro dos Agostinhos.

Os primeiros casos registados são os da vila e logo a seguir, Bencatel; daqui a doença irradiou para o resto do concelho. Em Vila Viçosa, a condução epidémica foi afetada de facto pelas feiras de Sousel e do Redondo (concelhos vizinhos), de onde vieram e para onde partiram muitos infetados.

A invasão foi muito rápida, abarcando 40% da população ou ainda mais. Poupou mais as crianças e os velhos (estes, sobretudo) e perseguiu muito mais as classes pobres. Houve muitas casas onde a infeção não poupou ninguém… Houve casos de reincidência, mas também houve engripados da primeira invasão que escaparam à segunda. Não se notou em regra que os atacados pela espanhola escapassem à pneumónica, sobretudo os afetados pela forma abdominal durante a primeira invasão.

Em todo o concelho calipolense assinalaram-se entre 3500 a 4000 casos de influenza de todas as formas, com um obituário de 151 indivíduos em Setembro, 150 em Outubro e 15 em Novembro.

 Estes números porém não foram rigorosamente precisados pelo Dr. Couto Jardim, dadas as dificuldades inerentes as todo o processo de registo. O Hospital da Misericórdia foi o local onde se efetuaram os registos e onde acudiam os mais necessitados de cuidados médicos.

As freguesias onde a doença maior mortalidade foram as rurais de São Romão e Bencatel, com 120 e 40 óbitos, aproximadamente, pois como referiu o Dr. Jardim, muitos casos que figuravam no registo civil sem assistência médica, tiveram-na na realidade, segundo as indagações a que o próprio procedeu e que pode verificar.

Estabeleceu-se então na Vila uma comissão central de assistência a epidemiados e famílias e em cada uma das freguesias uma subcomissão, as quais receberam da comissão de assistência distrital donativos do governo e produtos das subscrições públicas, assim como donativos de particulares em dinheiro e géneros.

Assim, foram socorridos de alimentação e medicamentos os doentes pobres que foram tratados nas suas casas, recebendo o Hospital da Misericórdia os que se hospitalizaram da classe civil, tendo sido tratados os militares numa pequena parte deste hospital e a grande maioria na enfermaria do regimento e outra que se instalou no Castelo de Vila Viçosa.

Fizeram-se desinfeções nas casas dos epidemiados e tratou-se com mais cuidado a habitual limpeza e saneamento das povoações. Os doentes foram isolados nas enfermarias, tanto quanto possível separados os pneumónicos dos casos simples e de outros casos septicémicos e híper-tópicos.

O serviço médico foi a princípio somente prestado pela subdelegação de saúde, a cargo do Dr. Couto Jardim. O serviço farmacêutico foi desempenhado pelas farmácias da localidade (Torrinha, Monte e Misericórdia) e embora muito assoberbadas pelo trabalho, satisfizeram inteiramente a sua missão, não tendo havido falta de medicamentos, como em muitas outras regiões do país.

 Na freguesia de São Romão, que foi a de maior mortalidade, instalou-se devido à grande distância que a separa da sede de concelho, um pequeno posto farmacêutico e uma cozinha económica, de que tomou a iniciativa e o encargo um proprietário local, António Augusto de Matos Costa, com o curso de farmácia e que excelentes serviços prestou, quer como boticário, quer como enfermeiro.

A extrema pobreza e a falta total de recursos desta freguesia, a grande distância e os péssimos caminhos que a ligavam aos centros mais importantes foram a principal causa de tão grande morbilidade e mortalidade (a maior de todas do concelho), valendo-lhe muito os belos serviços prestados por este benemérito local. As duas associações de socorros mútuos estabelecidas na vila prestaram também ótimos serviços, não faltaram nunca aos seus associados quer com assistência médica, quer com subsídios pecuniários e de farmácia.

Couto Jardim foi um “cruzado “na luta contra este “infiel”, tendo perdido muitas das suas batalhas, mas sempre com uma grande determinação em ajudar os doentes que padeceram deste mal que assolou Vila Viçosa, pela primeira vez em território nacional.



FONTES MANUSCRITAS


AHMVV – Documentação da Subdelegação de Saúde de Vila Viçosa, - Livro iniciado em Julho de 1917


AHMVV – Questionário sobre a Influenza da Gripe em 1918



quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

VILA VIÇOSA DE OUTROS TEMPOS

VILA VIÇOSA, DE OUTROS TEMPOS
Dia de mercado na Praça Nova (atual Praça da República). Ao fundo, a Igreja do Espírito Santo e o Passo da Misericórdia.
Este postal retrata uma realidade anterior a 1939/40, antes da demolição do quarteirão de casas que ia desde este local até ao Castelo, promovida pelo Estado Novo e pelo Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco.
O Passo da Misericórdia, na sequência dessa intervenção, foi deslocalizado para a Rua Dr. Couto Jardim (antiga Rua dos Fidalgos), onde ainda hoje se encontra.
Os mercados e feiras de Vila Viçosa eram bastante conhecidos nas redondezas e contavam sempre com grande adesão, como se comprova na imagem.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

terça-feira, 12 de novembro de 2019

CALLIPOLE SUBTERRÂNEA


O QUE SE ESCONDE, POR DEBAIXO DE VILA VIÇOSA?!

Sistemas antigos de condução de águas ou passagens secretas, que alimentam o nosso imaginário?


Diz a tradição popular que os Conventos de Vila Viçosa estão ligados entre si por passagens subterrâneas. Diz mesmo a lenda que entre o Convento dos Capuchos e a Ermida de Santo Eustáquio, na Tapada Real, há uma passagem secreta, usada pelos fradinhos para escaparem a qualquer eventualidade.
Os túneis existem, de facto. Mas na minha opinião, fazem parte de um complexo sistema de captação e condução de águas, essencial para as atividades monásticas. Neste caso concreto, existem várias entradas e diversas condutas perpendiculares, provavelmente usadas para levar a água a distintos locais.
Podemos falar numa rede, talvez com origem no século XVI ou XVII? É o que estou a tentar descobrir.

Decorrem as investigações, numa fase de identificação e levantamento de estruturas.


















quarta-feira, 30 de outubro de 2019

ESTÁTUA DE D. ÁLVARO ABRANCHES DA CÂMARA



Escultura de José Pereira Lima dos Santos (final do século XIX), representando D. Álvaro, com a bandeira real portuguesa, hasteada no Castelo de São Jorge no dia 1 de Dezembro de 1640.
D. Álvaro Abranches da Câmara foi um dos Quarenta Conjurados, que muito contribuiu para a aclamação do oitavo Duque de Bragança como Rei de Portugal. Servindo D. João IV, participou na Guerra da Restauração, praticando várias ações militares na Beira.
Antes disso, tinha lutado brilhantemente para o Reino de Portugal quando, em 1625, foi tomada a Bahia, no Brasil, aos holandeses.
Faleceu em 1660.
Simbolicamente, a sua estátua foi colocada neste local a norte do Castelo de Vila Viçosa, pela Fundação da Casa de Bragança, no ano 2000, por ter sido aqui que o exército espanhol do Marquês de Caracena tentou invadir este espaço, no dia 9 de Junho de 1665, dias antes da Batalha de Montes Claros.

D. Álvaro de Abranches da Câmara ou Álvaro Coutinho da Câmara 
(? -1660)
Senhor do morgado de Abranches, em Almada, foi um nobre, militar e político português; comendador de São João da Castanheira na Ordem de Cristo; governador de Abrantes, membro da Junta dos Três Estados,, mestre de campo general na Estremadura, e conselheiro de estado e do Conselho de Guerra, governador das armas da Província da Beira e da Província de Entre-Douro-e-Minho, incluindo a cidade do Porto. Ainda novo lutou brilhantemente para o Reino de Portugal quando, em 1625, foi tomada a Bahia, no Brasil, aos holandeses.
Contribuiu muito igualmente para a proclamação de D. João IV, como rei de Portugal, logo no inicio como um dos Quarenta Conjurados, sendo o primeiro que fez subir a bandeira nacional portuguesa, de novo, em Lisboa, e, assenhoreando-se do castelo de S. Jorge, soltando Matias de Albuquerque e Rodrigo Botelho, conselheiros de fazenda, que estavam ali presos pelos castelhanos. Depois na Restauração da Independência e durante a Guerra da Restauração, que se lhe seguiu, praticou várias acções de valor na província da Beira, nomeadamente, entrando em Espanha, onde saqueou e incendiou algumas vilas espanholas.
Foi provedor da Santa Casa da Misericórdia de Almada.
Falecido em 1660, está sepultado na Igreja de São Paulo de Almada.





quarta-feira, 16 de outubro de 2019

CALLIPOLE SUBTERRÂNEA – QUINTA DO MARTINHO


No âmbito do projeto CALLIPOLE SUBTERRÂNEA, identificámos hoje outra nora com uma cisterna associada, nas proximidades de Vila Viçosa (1,5 km). Trata-se de uma estrutura hidráulica com nascente de água associada. Apesar do período de seca severa que vivemos, apresenta um nível de água muito significativo, outrora utilizado para as atividades agrícolas, nomeadamente a rega da horta.
Num período em que se fala cada vez mais sobre a escassez de água, é importante salientar que no âmbito do nosso levantamento, o líquido é encontrado em abundância em muitos destes reservatórios, distribuídos pelo centro histórico e na envolvente.
Estas estruturas funcionavam num passado não muito distante como elementos fundamentais na gestão e poupança de água. Temos identificadas cerca de 20 estruturas hidráulicas (entre cisternas, noras, minas e aquedutos subterrâneos), fundamentais para a distribuição de água.

LOCALIZAÇÃO

QUINTA DO MARTINHO

Está situada nas proximidades da Quinta da Fonte Santa, ao oriente do outeiro de São Domingos.
Em 1882 moravam aqui quatro pessoas, segundo o levantamento efetuado pelo Padre Joaquim Espanca. Neste tempo, era conhecida pela existência de um pomar de laranjeiras de boa qualidade.

A Quinta do Martinho pertenceu ao Capitão Martinho José Leal, que tomou posse e juramento no dia 8 de Outubro de 1757. Em Julho desse mesmo ano, fora eleito Capitão da Companhia de São Romão, lugar vago pelo falecimento de Francisco Lopes de Torres.
Martinho José Leal foi Escrivão da Câmara, Vereador e Sargento-Mor da Ordenança, morrendo já no século XIX.

Esta área, desde a Fonte Santa, era bastante conhecida pela abundância, qualidades e virtudes das suas águas. Neste espaço, foi possível identificar uma nora com uma cisterna associada, com grande quantidade de água no seu interior, apesar do período de seca. A estrutura tem uma rampa de acesso para o animal de tração poder mover a nora e permitir a retirada de água para irrigação da horta. É semelhante a muitas outras já identificadas no centro histórico de Vila Viçosa.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

ESPANCA, Padre Joaquim José da Rocha, Memórias de Vila Viçosa, 36 cads., Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1983 – 1992.


LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO