quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Praça Nova de São Bartolomeu


Antiga Praça Nova de São Bartolomeu (actual Praça da República de Vila Viçosa)
As casas que se podem ver na imagem foram demolidas em 1939/40, de acordo com o novo plano de urbanização, que criou a Praça da República, promovido pelo Estado Novo. O quarteirão de casas desde este local até ao Castelo foi completamente arrasado, para a criação de uma praça monumental, cujo ponto oposto é a Igreja de São João Evangelista (São Bartolomeu).
Do lado esquerdo da imagem, temos a antiga Rua de Évora (que seguia desde a Comercial até ao actual Posto dos CTT)




quarta-feira, 19 de setembro de 2018

AS HISTÓRIAS SINISTRAS DE VILA VIÇOSA


Em cada recanto de Vila Viçosa, há histórias por contar…
Algumas delas românticas e deliciosas, outras tristes e macabras.
Esta é uma das últimas…

No Largo Mouzinho de Albuquerque encontra-se uma lápide em mármore com uma inscrição, que levanta a curiosidade de muitos dos que ali passam.

No dia 16 de Setembro de 1852, foi assassinada em Vila Viçosa Luísa Joaquina da Conceição, conhecida como Luísa Mamede, viúva, que morava numa casa do antigo Rossio, onde foi colocada a lápide que ainda hoje ali se encontra. Luísa Mamede foi morta pela sua criada, Maria da Assunção. Esta sabia ler e escrever corretamente e prestava-se a escrever as cartas que as suas amigas enviavam aos namorados.

Porém, um dia, Luísa Mamede encontrou umas cartas dirigidas a uma criada de Serafim José da Mata, seu cunhado e tio de Maria da Assunção. Chocada com a descoberta, Luísa pôs as cartas na algibeira e disse que as iria mostrar a Serafim. A criada ficou assustada!
Passaram as horas e ao meio-dia, Maria da Assunção colocou o almoço na mesa para Luísa poder comer. Sentada a patroa, Maria da Assunção suplicou-lhe que entregasse as cartas. Ao não atender o seu pedido, a criada tentou extrair-lhe à força as cartas da algibeira. Luísa resistiu. Maria da Assunção, exaltada, pegou no canudo de ferro da chaminé e deu-lhe com ele na cabeça. Então a patroa reagiu defendendo-se com o garfo de ferro com que tinha principiado o almoço e a criada, lançando a mão à faca da mesa, cravou-lha no pescoço, cortando-lhe a artéria jugular do lado esquerdo.

Instantes depois, caia Luísa no pavimento da cozinha, banhada no seu próprio sangue…

Maria da Assunção ficou atrapalhada, sem saber como havia de encobrir o crime horrendo que cometera. No meio dos seus próprios remorsos, ocorreu-lhe chamar um familiar que morava defronte da casa, nas Aldeias. Vindo este, contou-lhe que fora colher uvas à parreira do quintal para a sobremesa do almoço e que entrara alguém que assassinara a patroa. Porém, a porta da rua estava fechada e foi preciso que ela própria a abrisse para o familiar poder entrar.

Depois, alguns dos que entraram a ver o sinistro repararam que Maria da Assunção tinha pingos de sangue no pescoço e logo murmuraram que fora ela a autora do crime. Ainda nessa noite, a criada foi dormir à cadeia e no dia seguinte, aos interrogatórios, vendo-se apanhada em mentiras, confessou o crime.
Tinha por esses dias concluído a formatura em Direito o calipolense Francisco Augusto Nunes Pousão (pai do Pintor Henrique Pousão) e quis estrear-se na advocacia tomando à sua conta a defesa da ré. Fez o que foi possível para atenuar-lhe a pena. Foi brilhante no seu discurso na audiência, onde estava presente o Padre Joaquim Espanca (de cujos documentos retirámos esta história).

Porém, o crime, apesar de não sido premeditado, foi de tal gravidade que não pôde o Juiz, com o veredicto dos jurados, deixar de condená-la. A primeira sentença foi de pena de morte. Apelando o defensor para a Relação de Lisboa, foi-lhe atribuída a pena de degredo perpétuo para as costas de África, onde viveu até quase ao final do século XIX.
Uma curiosidade desta história tem a ver com o facto de que, ao abrir-se o testamento de Luísa Mamede, se constatou que esta legava à criada assassina uma prédio de casas “rasteiras” na Rua dos Frades (antiga artéria situada junto do Convento da Esperança). No entanto, esse legado ficou sem efeito porque as leis civis já impunham nesta data a pena de deserdação a inimigos ingratos e cruéis.

FONTE
ESPANCA, Padre Joaquim José da Rocha, Memórias de Vila Viçosa, 36 cads., Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1983 – 1992.





quarta-feira, 8 de agosto de 2018

LIMPA-PÉS OU RASPADEIRA



No Paço Ducal de Vila Viçosa existem muitas curiosidades e vários motivos para uma visita!
O Limpa-Pés, raspadeira de calçado ou limpador de barro da sola do sapato, é uma peça ou instrumento, normalmente de ferro, cobre ou bronze.
Trata-se de um objeto colocado na entrada das Igrejas ou edifícios, para que os mais pobres pudessem limpar os sapatos, que vinham cheios de terra ou de lama. No Paço Ducal de Vila Viçosa existe um destes artefactos, na zona de acesso à Capela e à antiga Sala dos Órgãos. Também é conhecida por limpa-pés porque, no meio de gente com os pés calçados, havia também a gente de “pé descalço”.
Provavelmente, era aqui que os mais pobres limpavam os pés ou o calçado (socos, chancas, botas ou sapatos), da lama ou terra seca. A expressão “pé-rapado” (ou pé-raspado”), muito utilizada no Brasil, designava as classes mais desfavorecidas, que tinham que utilizar o limpa-pés antes de entrar em espaços nobres.




terça-feira, 7 de agosto de 2018

Florbela Espanca


No âmbito das pesquisas que estamos a desenvolver sobre o espólio de Florbela Espanca, identificámos mais um livro autografado pela poetisa calipolense, numa coleção particular. Trata-se de um livro sobre “Noções de Physica”, de 1907. Para além da assinatura, contêm vários apontamentos e versos de Florbela. Este é mais um contributo para o projeto da Casa-Museu de Florbela Espanca em Vila Viçosa! 




Deixo aqui um apelo às vossas votações nesta iniciativa!



https://opp.gov.pt/proj/579


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Continua a inventariação dos azulejos!


O trabalho de inventariação dos conjuntos azulejares de Vila Viçosa continua em permanente atualização. Desta vez, foi possível identificar, no centro histórico, um nicho com azulejos do tipo de “maçaroca de milho” do século XVII. Estavam ocultos debaixo de várias camadas de cal, que tem vindo a ser removidas cuidadosamente. Devem ser provenientes de algum dos antigos conventos de Vila Viçosa.




segunda-feira, 9 de julho de 2018


Rua de Estremoz, Castelo de Vila Viçosa (primeira metade do século XX)

Diz a lenda que nesta rua ficava o Paço do Condestável D. Nuno Álvares Pereira. A partir do lado direito da imagem, ficava a Judiaria.
Com a construção do Paço Ducal em 1501, o Castelo de Vila Viçosa começa a perder importância e transformou-se gradualmente numa bolsa de pobreza, que perdurou atá meados do século XX.