quarta-feira, 22 de setembro de 2021

ANTIGO TERREIRO DE D. JOÃO - Vila Viçosa

 


Pela porta de Estremoz, no Castelo de Vila Viçosa, na atual Praça Infante de Lacerda, encontrava-se outrora o TERREIRO DE D. JOÃO, que era dominado pelo Paço de D. Fernando de Eça e do seu filho D. João de Eça, alcaides-mores de Vila Viçosa no início do século XVI. Foram ambos elementos da corte do quarto Duque de Bragança, D. Jaime.

 O primeiro participou na conquista de Azamor, em 1513, na sequência da qual recebeu a Ordem de Cristo. O segundo alcançou grandes feitos na Índia, para onde embarcou em 1527, recebendo como mercê a capitania de Cananor.

D. João foi incumbido pelo cunhado Lopo Vaz de Sampaio (casado com D. Leonor de Eça) de vigiar a costa de Calicute, onde aprisionou 50 embarcações carregadas de especiarias, tomou e saqueou Mangalor, mas perdeu a batalha naval de Cutiale.

Esta grande casa em Vila Viçosa, que alcançava a antiga Rua do Chafariz, compreendeu mais tarde o corpo habitado por D. Pascoela de Gusmão, camareira da Duquesa D. Catarina, em 1580. Era filha de D. Vasco Coutinho (neto do 1º Conde de Marialva) e de D. Joana de Eça.

Foi esta dama que originou a designação da Rua da Pascoela.

O Paço prolongava-se por esta artéria (nº 4-6), com o seu prospeto de dois pisos e janelas de mármore.

Com a frente setentrional integrada num pátio discreto, talvez outrora jardim, com arco pleno de alvenaria, no corpo alto, subsiste uma elegante galeria de três arcadas de meio ponto, apoiadas em colunelos da ordem dórica, de mármore, presentemente obstruídos. 

Trata-se de uma obra de meados do século XVI.

Nesta casa existiu, durante longos anos, uma rara escultura de mármore, representando em busto, uma deusa da antiguidade, com rosto sorridente, longos cabelos e roliços seios, que o Padre Espanca considerou Vénus ou uma das Graças da Mitologia grega e que o povo calipolense cognominou Pascoela.

 Fontes bibliográficas:

ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Évora, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1978, p. 717




Vista parcial do antigo Terreiro de D. João, a partir do Castelo de Vila Viçosa. Do lado direito da fotografia, o corpo do paço habitado por D. Pascoela de Gusmão



Corpo do solar de D. João de Eça, posteriormente habitado por D. Pascoela de Gusmão. São visíveis as três arcadas de meio ponto originais, atualmente obstruídas.



 

sábado, 24 de julho de 2021

Vila Viçosa Antiga - CHAFARIZ DEL-REI

 

Este bebedouro, localizado no Terreiro do Paço, junto à “Janela de Lisboa”, foi construído no ano de 1772, por ordem do Rei D. José, não somente para uso público, mas principalmente para nele beberem as manadas de cavalos da Coudelaria de Alter, quando vinham pastar nas coutadas da Casa de Bragança.

Estava situado junto do muro do Jardim do Bosque, por debaixo da “Casa de Lisboa”. Era abastecido por nascentes provenientes da “Ilha”, tendo sido bastante utilizado durante o período em que as unidades de Cavalaria do Exército Português (Regimento de Cavalaria 3 e Escola Prática de Cavalaria) estiveram no Mosteiro de Santo Agostinho (atual Seminário Menor da Arquidiocese de Évora), ao longo do século XIX.

Foi seu construtor o pedreiro calipolense José Mendes Brochado, um dos mais engenhosos mestres de cantaria da região, no século XVIII. A sua longa taça alteada, de mármore lavrado, tinha capacidade para 50 cavalos. Foi demolido em 1939/40. Somente sobreviveram as três gárgulas, que ainda lá se encontram.

 

Foto – Arquivo Municipal de Lisboa





segunda-feira, 19 de julho de 2021

CASA DO CORREGEDOR - Vila Viçosa

 

Na Rua Luís Casadinho, antigamente designada Carreira das Nogueiras, encontramos um curioso edifício arcaico. Trata-se da antiga Ouvidoria da Casa de Bragança, construída em 1608, para residência de Domingos Álvares Leitão, desembargador do 7º Duque de Bragança, D. Teodósio II. O ouvidor era o magistrado que superintendia a justiça nos territórios senhoriais, neste caso, da Casa de Bragança.

Em 1791, por decreto régio, foram extintas as Ouvidorias e os cargos ocupados pelos corregedores, motivo pelo qual o velho palácio passou a ser conhecido como CORREGEDORIA.

O corregedor era o magistrado administrativo e judicial que representava a Coroa, em cada uma das comarcas do país.

No dia 22 de dezembro de 1836, a Casa de Bragança cedeu o edifício para nele se instalar, no primeiro piso, o TEATRO CALIPOLENSE e arrendou o piso térreo para diversas funções (armazenamento e apoio a atividades agrícolas)

O TEATRO CALIPOLENSE funcionou no edifício até ao ano de 1858. Na porta principal, ainda hoje está visível o monograma coroado DB (Ducado de Bragança), a indicar a posse do imóvel DB.

A fachada principal apresenta o carácter arquitetónico do século XVII. O edifício sofreu alguma ruína com o terramoto de 1755.

BIBLIOGRAFIA

ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Évora, Zona Sul, vol. I, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1978.







segunda-feira, 12 de julho de 2021

TRADIÇÕES ANTIGAS DE VILA VIÇOSA - AS “VAQUINHAS” DE SÃO LUÍS

 

TRADIÇÕES ANTIGAS DE VILA VIÇOSA

 

AS “VAQUINHAS” DE SÃO LUÍS

 

No Largo dos Capuchos, encontra-se a Ermida de São Luís, datada provavelmente do século XVI.

Nas suas imediações, decorria uma festa que tinha lugar no primeiro domingo de Setembro, antecedendo as tradicionais Festas dos Capuchos. Os almocreves, lavradores e hortelões de Vila Viçosa iam sempre levar as fogaças de fruta e as esmolas em homenagem a São Luís.

Tinha lugar uma missa cantada durante a manhã e a Filarmónica marcava presença. Durante a tarde, tinha lugar a “vaquinha”, que não era mais do que uma tourada à vara larga. Apesar de se chamar “vaquinha”, o animal toureado à corda era sempre um novilho com dois ou três anos.

No ano de 1825, foram acrescentadas umas casas anexas à sacristia, que passariam a funcionar como bazar para se venderem as fogaças. Isto porque no ano anterior a “vaquinha” investiu contra a mesa das ditas fogaças, partindo a corda que a prendia, obrigando os confrades a saltar o muro da horta.

Na casa das fogaças distribuíam-se bolinhos redondos e chatos semelhantes às modernas bolachas, a quem entregava fogaça ou boa esmola em dinheiro. Outros ofereciam fogaças de frutos ou frangos, que os rapazes apregoavam em voz alta.

No ano de 1858, formou-se uma varanda na parte superior da sacristia, para que a Juíza, a Escrivã e a Tesoureira da Confraria de São Luís pudessem assistir dali, mais seguras, à “vaquinha”.

Este divertimento tinha grande adesão no século XIX. Dizem as crónicas que os lavradores e rapaziada mais nova não faltavam à festa e os mais corajosos atreviam-se a tourear com lenços e cintas encarnadas. Outros combinavam-se e avançavam para as pegas.

Algumas vezes, arremetia a “vaquinha” contra os que seguravam a comprida corda, originando alguns sustos e pontuais ferimentos.

Em Setembro de 1931, existem registos de que a festa das “vaquinhas de São Luís” ainda se realizava.

Bibliografia

ESPANCA, Padre Joaquim José da Rocha, Memórias de Vila Viçosa, 36 cadernos, Câmara Municipal de Vila Viçosa, Vila Viçosa, 1983 – 1992.

 

ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal – Distrito de Évora, Zona Sul, vol. I, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1978.




 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Vila Viçosa, final do século XIX

 VILA VIÇOSA, final do século XIX


A caminho da feira do gado, pela Rua dos Fidalgos...

Fotografia do Arquivo Municipal de Lisboa

© PT-AMLSB-CMLSBAH-PCSP-004-NEG-000818



domingo, 9 de maio de 2021

FEIRA DE AGOSTO EM VILA VIÇOSA

 

FEIRA DE AGOSTO EM VILA VIÇOSA

A Feira de Agosto teve a sua origem provavelmente no século XVI, mais precisamente em 1528, por iniciativa do quarto Duque de Bragança D. Jaime e com autorização régia.

A sua localização inicial foi na envolvente do Terreiro do Paço e do Terreiro dos Agostinhos. Em meados do século XIX, os ajuntamentos de feirantes passaram para o Carrascal e para o Rossio de São Paulo.

Esta feira foi, em tempos, uma das maiores e mais concorridas do Alentejo no que ao comércio de gado diz respeito. Paralelamente, constituía um local de comércio para todo o tipo de mercadorias. Foram uma importante fonte de dinamização do quotidiano económico e social do concelho.

Nesta imagem do Arquivo Municipal de Lisboa, de finais do século XIX, podemos ver uma “mulada”no Terreiro do Paço, sob o olhar atento de alguns potenciais compradores, provavelmente a caminho da feira de Agosto.

 

Bibliografia:

ARAÚJO, Maria Marta Lobo de, Dar aos pobres e emprestar a Deus: as Misericórdias de Vila Viçosa e Ponte de Lima (Séculos XVI-XVIII), SCMVV, Barcelos, 2000.

 


 Créditos fotográficos

Arquivo Municipal de Lisboa - PT-AMLSB-CMLSBAH-PCSP-004-NEG-000693