domingo, 12 de novembro de 2017

O FORTE DO CONDE


Lugar de referência na freguesia de São Romão, foi uma fortificação militar de grande importância geoestratégica no âmbito da Guerra da Restauração. A proximidade com o Rio Guadiana, com Espanha e a importância agrícola e populacional, tornaram o Forte do Conde num ponto da resistência portuguesa no âmbito deste conflito do século XVII.

A sua história liga-se com o Oriente, através da figura de D. Francisco Lobo, capitão-mor da esquadra do Vice-Rei da Índia, D. Francisco da Gama (bisneto de Vasco da Gama, 4º Conde da Vidigueira e que cumpriu, pela segunda vez, a função de Vice-Rei entre 1622 e 1628). A Sé de Goa cruzou-se com o legado do Forte do Conde, num cenário de refregas com árabes e hindus pelos mares distantes do Índico. A fundação da Capela de Nossa Senhora dos Remédios no Forte do Conde, foi o resultado, anos mais tarde, dessa curiosa e improvável relação.

No século XVIII, no reinado de D. João V, passou para a posse de Gomes Freire de Andrade, 1º Conde da Bobadela, Governador e Capitão-General do Brasil.

Extraordinariamente conservado nos nossos dias, o Forte do Conde preserva essa memória histórica, testemunho vivo de um passado distante, mas sempre presente!





sexta-feira, 10 de novembro de 2017

SALA DO CAPÍTULO DO CONVENTO DA ESPERANÇA

O Convento de Nossa Senhora da Esperança pertencia à Ordem de Santa Clara e foi criado em 1570. O primitivo edifício era constituído por três corpos, com um claustro central de nove tramos com arcos redondos, infelizmente já desaparecido. As antigas dependências conventuais foram muito alteradas após o encerramento definitivo do convento, em 1876. É nesta data que é desmanchado o claustro. As imagens que apresento são da Sala do Capítulo, um dos espaços mais importantes do Convento. Trata-se de uma sala de grandes dimensões (6 metros de largura, por 12 de comprimento), que funcionou, em meados dos anos 80 do século XX, como celeiro.
Este espaço estava ornamentado com pinturas a fresco e abóbada de tijolo com trabalhos de estuque decorado, inseridos numa estrutura de losangos, com a representação de grotescos, que seria importante recuperar.
Este tipo de decoração erudita é um outro sinal da importância da Casa de Bragança no âmbito da cultura e da arte em Vila Viçosa, sobretudo a partir do século XVI.

FONTE :

SILVA, Hélia, “Três programas de estuque relevado em Vila Viçosa”, Revista Monumentos, nº 27, IHRU, 2007.

















terça-feira, 7 de novembro de 2017

Manuscritos de Florbela Espanca

Em boa hora, a Fundação da Casa de Bragança avançou em Novembro de 2017 com a publicação de dois manuscritos da poetisa calipolense Florbela Espanca, através de uma edição fac-simile, com a coordenação da Sr.ª Diretora do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança, Dr.ª Maria de Jesus Monge.

 A transcrição e a introdução desta obra estiveram a cargo das Professoras Ana Luísa Vilela e Maria Lúcia Dal Farra, grandes especialistas na temática “florbeliana”. Foram também estas duas estudiosas que analisaram e comprovaram a autenticidade desta documentação, adquirida recentemente pela Fundação da Casa de Bragança.


A edição destes dois contos (o Dominó preto e o regresso do filho) como que “ressuscitou” a memória da Poetisa em Vila Viçosa. Espero que este seja mais um contributo para o projeto de criação da Casa-Museu de Florbela Espanca, que tenho defendido acerrimamente. Para além do espólio documental, temos também identificadas várias coleções e objectos que pertenceram a Florbela e que poderiam constituir um núcleo importante no âmbito deste projeto! 


domingo, 8 de outubro de 2017

Uma estátua para a calipolense D. Catarina de Bragança nos Estados Unidos!

Catarina, filha de D. João IV (oitavo Duque de Bragança) e de D. Luísa de Gusmão, nasceu no Paço de Vila Viçosa no dia 25 de Novembro de 1638. Foi Rainha de Inglaterra pelo seu casamento com o Rei Carlos II, realizado no dia 21 de Maio de 1662.

Em 1983, um grupo de portugueses propôs-se a recolher fundos para comemorar o tricentenário da atribuição do nome de Catarina de Bragança ao condado de Queens (Nova Iorque), erigindo uma estátua em memória da princesa portuguesa (e calipolense), que um dia foi Rainha de Inglaterra.
Esta iniciativa durou 10 anos, tempo necessário para reunir o dinheiro e a congregação de vontades para este objetivo. Com sucesso, o distrito de Queens apoiou o projeto e em 1988, o Museu de Queens dedicaria uma exposição em honra do 350º aniversário de Catarina de Bragança, também graças à ação da Associação “Amigos da Rainha Catarina”.
Para a zona de Queens, durante este período, era necessário criar algumas referências históricas que permitissem a consolidação de uma identidade local, com uma matriz própria e genuína. A figura de D. Catarina assumia uma importância vital no que concerne a este tema.
O projeto inicial era bastante ambicioso e propunha erigir uma estátua de 10,6 metros (1/3 da altura da estátua da Liberdade) da autoria de Audrey Flack (artista norte-americana, pioneira do designado fotorrealismo), num vasto memorial na frente fluvial de Queens (margem esquerda do East River), área oposta à sede das Nações Unidas.  A figura da Rainha Catarina, em bronze, assentaria num sumptuoso pedestal, à beira-rio.
Com um orçamento de 3,5 milhões de dólares, o projeto acabaria por ser inviabilizado no momento em que a própria estátua estaria já na fundição, com um movimento residual de cidadãos a trazer à discussão pública um argumento difícil de contornar:
A acusação baseou-se no facto de que a Rainha teria beneficiado do comércio de escravos. Portanto, não faria sentido a homenagem, numa ilha onde as comunidades de ascendência africana e irlandesa tinham uma relação socialmente complexa, ora devido à questão da escravatura, ora por se tratar de uma Rainha inglesa.
A razão utilizada para que este projeto não fosse concretizado nos Estados Unidos não faz qualquer sentido. Pretendeu-se associar a imagem de D. Catarina de Bragança ao tráfico de escravos nas colónias, com a acusação de que a princesa calipolense seria a principal responsável por este triste facto.
Perante as pressões políticas, as razões históricas perderam o protagonismo e o local onde a estátua supostamente devia ter sido erigida é hoje ocupado por uma extensa linha de arvoredo. O modelo original sobrevive numa estátua que se encontra no Parque das Nações, em Lisboa, reduzida a ¼ do tamanho previsto originalmente.
Em 2013, um grupo de calipolenses, (com um forte entusiasmo do Dr. José Manuel Martins) reavivou este tema. O objetivo consistiria na criação de uma réplica desta estátua em Vila Viçosa. Penso que seria uma homenagem mais que justa a esta ilustre calipolense! Faria sentido?!

                                                            D. Catarina de Bragança





                                       Estátua de D. Catarina no Parque das Nações - Lisboa



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CASA DE FLORBELA ESPANCA

Segundo o historiador Túlio Espanca, no nº 59 da antiga Rua da Corredoura, passou parte da sua infância a malograda poetisa Florbela Espanca. De facto, são vários os imóveis em Vila Viçosa com ligações à Família Espanca.

 No âmbito da proposta apresentada para a criação de uma Casa-Museu em homenagem à Poetisa, temos vindo a identificar um número cada vez maior de objetos que podem vir a integrar o espólio desse projeto:

1-      Conjunto de manuscritos da autoria de Florbela e documentos impressos, livros da sua coleção particular, o berço em madeira e outros objetos, assim como as fotografias de Bonfilho Faria (amigo pessoal da Florbela), que retratam a vida social, económica e cultural de Vila Viçosa na primeira metade do século XX.
2-      Fotografia inédita de Florbela Espanca quando tinha cerca de 20 anos (coleção particular)
3-      Tela com representação de uma figura feminina da autoria João Maria Espanca, pai de Florbela (coleção particular)
4-      Quadros da autoria de João Maria Espanca (Câmara Municipal de Vila Viçosa)
5-      Conjunto de postais escritos e assinados pela Poetisa, para vários destinatários (coleção particular)
6-      Modelo do busto em gesso da estátua de Florbela Espanca da Praça da República
7-      Coleção de documentos (manuscritos) adquiridos recentemente por uma instituição cultural.
8-      Conjunto de documentos e objetos produzidos no âmbito dos Encontros Florbelianos em 2014.


Com uma programação bem definida e através de acordos com os proprietários e com a Universidade de Évora, esta poderia ser uma iniciativa que certamente atrairia mais visitantes a Vila Viçosa. Um tema para deixar à consideração dos candidatos à CMVV. Penso que esta proposta concreta de criação de uma Casa-Museu poderia trazer muitos benefícios a médio prazo, em termos turísticos. Temos edifícios e coleções de grande relevância museológica. 


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

MANJAR DAS CHAGAS


Mais um doce típico da doçaria conventual calipolense, proveniente do Real Convento das Chagas de Cristo, fundado na primeira metade do século XVI pelo quarto Duque de Bragança, D. Jaime. Trata-se de uma receita um tanto ou quanto exótica, já que é utilizada carne na sua confeção.

O Manjar das Chagas terá tido origem no século XVI. Inicialmente, era utilizado o peito de frango, ingrediente algo insólito para um doce conventual. A proximidade com a Tapada, as incursões cinegéticas dos Duques de Bragança neste couto de caça e a grande quantidade de coelhos que eram oferecidos ao Convento originou uma mudança da receita, a nível da carne utilizada.

 As monjas da Ordem de Santa Clara usaram a imaginação e do peito de frango, passou-se para o coelho.

O Manjar das Chagas tem uma aparência acastanhada e os ingredientes para a sua confeção são gemas de ovo, o açúcar em ponto, a canela, o miolo de amêndoa, o pão e o peito de coelho desfiado. Posteriormente, é feita a trituração e mistura de todos os elementos da receita e a carne de coelho passa quase despercebida.



Trata-se de uma das mais deliciosas iguarias calipolenses! 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

NAGASÁQUI - VILA VIÇOSA











Em 2014, lançámos a semente, com a edição do livro “Do Japão para o Alentejo"! A maioria dos japoneses desconhecia que Vila Viçosa tinha sido um dos pontos de passagem da Embaixada Tensho em 1584. Em 2017, os resultados desta iniciativa vão-se somando!
No passado sábado, um grupo de alunos e professores de 5 municípios de Nagasáqui (Omura, Saikai, Unzen, Minamishimabara, Hasami, Saito) deu os mesmos passos que os seus antepassados no século XVI e honraram-nos com a sua visita.
Conheceram a nossa história, visitaram os nossos monumentos, passearam nas nossas ruas, ficaram impressionados com o nosso património, fascinados com a nossa cultura e deliciados com a nossa gastronomia, doces e vinhos. Vão levar para o Japão uma nova experiência de vida e o desejo de regressar!
Apesar da falta de apoios, ficou mais uma vez demonstrado que algo permaneceu, como herança da ligação histórica entre os dois países. Isto tem trazido uma crescente procura turística do nosso território. Não ganhamos todos com isso?!!